Sempre gostei de música clássica, principalmente da 9.a Sinfonia de Beethoven, e ouço desde a adolescência como eu já escrevi aqui NESTE POST.

No fim do ano passado, eu e o Fábio, um amigo violinista, conversávamos sobre o começo de 2013 e ele iria tocar na Berliner Philharmonie, “residência” da Orquestra Filarmônica de Berlim, na Alemanha. Por uma grande coincidência, e para minha felicidade, eu estaria também em Berlim no mesmo dia.

Portanto, ele acabou me convidando para assistir as 4 peças que iria tocar: Karelia Overture de Jean Sibelius; Karelia Suite de Jean Sibelius; Karelia Joik de Andreas Peer Kahler e na segunda parte a suite do Pássaro de Fogo para Ballet de Igor Stravinsky. Fiquei encantado pela qualidade do som que eu ouvi e com a sala da filarmonica em si. Um lugar espetacular com uma acústica impecável:

No dia seguinte, o Fábio e os recém conhecidos irmãos gêmeos Marcos e Matheus Rangel, me convidaram para assistir a um ensaio do corpo de músicos da própria Filarmônica de Berlim. Não é todo dia que se tem convite para assistir uma das melhores filarmônicas do mundo na própria casa dela.

Achei que iriam ter várias pessoas assistindo ao ensaio. Engano! Éramos em, apenas, 7: Fábio, Marcos, Matheus, Taís Soares (violino), Helena Pereira (viola), um russo chamado Erick (violino) e eu.

A orquestra ensaiou a 4.a Sinfonia de Felix Mendelssohn e a 6.a Sinfonia de Anton Bruckner com uma objetividade espantosa. Imaginei que iria demorar anos e não ser tão bacana por se tratar de um ensaio, mas o que eu vi e ouvi foi um verdadeiro concerto da filarmônica de Berlim regida pelo maestro convidado Riccardo Chailly.

Ensaio | 07.01.2013

Dado o intervalo, os irmãos Marcos e Matheus me disseram estar bobos com a maneira que os músicos os receberam ali atrás nos camarins. Disseram ser muito difícil ter esse acesso aos músicos no Brasil. Além de ser praticamente impossível assistir a ensaios e, até mesmo, os concertos do Brasil por ser extremamente caro: uns R$ 60 no pior lugar e pagando meia.

Imagine só você! Estudar música clássica no Brasil, o que não é fácil, e, de lambuja, ter essa dificuldade para se ter acesso ao pouco de concertos que temos no nosso país.

Voltamos para a segunda parte do ensaio, essa mais rápida, porém com gran finale e emocionante! Quando terminaram, tivemos a oportunidade de conhecer e tirar fotos:

Maestro convidado Riccardo Chailly

Também conheci o violinista Luiz Filipe Coelho. Ele é o único músico brasileiro na Filarmônica de Berlim. Quer mais? Quando fez a audição para entrar na filarmônica, sua aceitação foi unânime pela bancada! Fiquei orgulhoso em saber disso.

Violinista brasileiro Luiz Filipe Coelho

E, por último, o violinista italiano Simon Bernardini. Esse músico mostrou vontade absoluta em ajudar e dar atenção aos jovens músicos que eu acompanhava. Facilitou a nossa chegada para o ensaio, intermediou as fotos com o maestro, deu atenção total para eles no concerto do dia anterior.

Violinista italiano Simon Bernardini

Além disso, nos deu esse lápis que só os músicos da filarmônica ganham para poderem fazer anotações em suas partituras:

Dou meus parabéns pelo empenho em ajudar os jovens músicos, principalmente em se tratando de um estilo musical que o Brasil não favorece tanto, mesmo tento um representante na que já foi a melhor filarmônica do mundo.

Parabéns também aos músicos e maestro pela simpatia com que receberam todos nós. (ninguém tinha ideia de que eu trabalho na TV, então não tive privilégios).

E agradeço profundamente ao violinista brasileiro Fábio Sarazate. Graças a ele eu sou um cara mais erudito musicalmente falando.